Fui perdendo pouquinhos de mim enquanto decidia afastar-me de ti. Batalhei muito contra a dura realidade que se abatia sobre a minha vida, até perceber que o teu amor já não passava realmente mais por mim. Que eu já não era nada. Escrevo isto, inclinado na minha secretária com a minha chávena de café quente. É sábado à noite, chove lá fora. E dentro de mim também. Dentro de mim até não chove só, dentro de mim há uma tempestade de pensamentos e sentimentos que vão destruindo tudo por onde passam. Nem me acredito que vou ter de aprender a viver sem ti. A ti, que eu amei de verdade, superando todas aquelas estúpidas e idealizadas histórias de amor. Superamos barreiras e fronteiras juntos, escrevendo uma história de amor apenas no nosso coração e no livro da nossa vida. Por mais que tentes, nunca irás conseguir rasgar essa página, porque ela nunca se soltará. Está presa à carne e não faças como eu, que a tentei arrancar e fiquei com o coração em carne viva. Até hoje procuro forma de o curar, sem saber como. Não há nada que me faça esquecer o teu rosto a roçar-se no meu, não há nada que me faça esquecer o teu perfume nem o teu sabor, não há nada que me faça esquecer-te. Não me consigo despedir de ti. Nem afastar. Nem odiar-te consigo sequer. Chego a odiar-me a mim primeiro por ainda te amar assim. Acendo o meu quinto cigarro, enquanto escrevo. Vou limpando os olhos, que se derretem ao ver as tuas imagens e as recordações que deixas-te comigo. E a única coisa que deixas-te: O amor que sinto por ti.
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